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Nazaré e Alcobaça abrem centro de testes para rastreio da Covid-19
09 abril 2020

Já está a funcionar, desde ontem, um centro de testes à Covid-19 em regime de drive thru, junto ao MercoAlcobaça, em Alcobaça, que será partilhado pelos munícipes dos concelhos de Alcobaça e Nazaré.
O centro de testes terá capacidade, numa primeira fase, para realizar entre cinco a 10 testes por dia, explicou o responsável pelo Grupo H Saúde, entidade que vai operar medicamente na tenda. Mas, na próxima semana, após o período da Páscoa, esse número deverá triplicar, acrescentou Henrique Henriques, sublinhando que, no local, as pessoas serão testadas sem sair dos carros, em regime ‘drive-through’.
Com o objetivo de testar doentes fora de meio hospitalar, em condições de conforto e segurança coletiva e aliviar o afluxo de potenciais suspeitos portadores aos hospitais, estes espaços dedicados à colheita de amostras para rastreio da doença permite aos pacientes suspeitos de infeção (previamente referenciados pelo SNS ou com prescrição médica e marcação prévia) deslocar-se até ao ponto de recolha, sem entrar em contacto com outras pessoas, reduzindo o risco de infeção em cada colheita até para os profissionais envolvidos.
Segundo o presidente da Câmara de Alcobaça, é naquele espaço que os utentes devidamente prescritos pelas autoridades locais de saúde ou pela linha Saúde 24, poderão realizar os seus testes de forma gratuita. A prioridade para a realização destes exames será para os utentes prescritos pelo Serviço Nacional de Saúde, embora seja também teoricamente possível para os utentes privados poderem usufruir deste serviço, contactando o Grupo H Saúde, acrescentou o autarca.
Este é um serviço público para os dois concelhos, que é importantíssimo, sublinhou o presidente da Câmara da Nazaré. Para Walter Chicharro, o que importa é ter uma resposta para a Nazaré e ela estar em Alcobaça é como se estivesse na Nazaré. Não há diferenças políticas ou partidárias que nos afastem de fazer projetos conjuntos, seja na área da saúde seja noutras, acrescentou o autarca.
Já Ana Pisco, diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Oeste Norte elogiou o esforço dos dois concelhos em trazer para aqui mais um polo de testagem em termos de Covid-19. Desde o início reportei à ARSLVT que o único polo em Caldas da Rainha seria insuficiente dada a extensão do ACES Oeste Norte que abrange seis concelhos, razão pelo qual também somos a que abriu mais unidades de atendimento dedicadas a esta pandemia, acrescentou.
No local estarão dois enfermeiros em permanência para efetuar as recolhas. O material será depois enviado para o laboratório, sendo que o tempo até à revelação dos resultados dependerá da disponibilidade de reagentes e da capacidade de resposta, informou o responsável do Grupo H Saúde. A previsão é de 48 horas.
Os custos de funcionamento do centro drive-thru, o primeiro do concelho, serão assegurados pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).
O Grupo H Saúde, sediado na Benedita, já tinha iniciado, na semana passada, a realização de testes Covid-19 em regime Drive Thru em Leiria, junto à Clínica das Olhalvas.
O local de colheitas destina-se apenas a utentes que estejam em regime de ambulatório sem referenciação para autoisolamento. O centro está preparado para realizar até 100 testes diários, de forma totalmente gratuita, mediante marcação através do 244 843 720. De acordo com a administração do grupo, este modelo permite aos pacientes suspeitos de infeção e previamente referenciados pelo Serviço Nacional de Saúde deslocarem-se até ao ponto de recolha, sem entrar em contacto com outras pessoas, reduzindo o risco de infeção em cada colheita, até para os profissionais envolvidos.Os resultados serão depois enviados diretamente ao cidadão e às autoridades de saúde pública num período máximo de 48 horas.
Como funcionam os testes?
Existem vários testes capazes de despistar a Covid-19. Em resposta ao estado de emergência, cada país estipulou um conjunto de diretrizes que define os testes que devem ser realizados para diagnosticar a doença, de que modo é que estes devem ser feitos e que laboratórios estão aptos para os realizar.
Em Portugal, estão em vigor dois métodos de diagnóstico. O teste de deteção de ácidos nucleicos do SARS-CoV-2 são os recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e têm de ser feitos nos laboratórios, o que implica o transporte das amostras recolhidas.
O primeiro passo deste teste consiste na colheita de material do paciente através de uma zaragatoa à faringe, ou seja, com uma espécie de cotonete comprido são retiradas gotículas da garganta. O resultado a este teste pode demorar até 24 horas.
Outra opção de teste é o sorológico, que consiste na colheita de uma pequena gota de sangue, em que o foco é a busca por anticorpos específicos que são produzidos no caso de infeção pelo novo coronavírus. Se esses anticorpos forem identificados, é sinal de que o organismo está ou esteve em batalha com o vírus. Esta tipologia de testes apresenta algumas vantagens, nomeadamente o facto de os anticorpos poderem ser detetados no sangue mesmo depois do paciente estar recuperado, enquanto que os testes anteriormente referenciados apenas revelam a presença do vírus se o indivíduo ainda estiver infetado.
No entanto, ambos possuem falhas. Se as amostras forem colhidas cedo demais ou quando o corpo do paciente ainda não tiver começado a produzir anticorpos, o que pode demorar até uma semana segundo os especialistas, os resultados podem ser falsos negativos.
Com o aumento de solicitação de realização de testes, o Ministério da Saúde e as autarquias foram forçadas a encontrar outras soluções, nomeadamente a criação de centros móveis de teste de Covid-19.
